Assunto: A possibilidade de alguns times colocarem suas equipes reservas, em partidas decisivas do campeonato, prejudicando direta ou indiretamente os clubes rivais na luta pelo título ou contra o rebaixamento.Por Igor Castello Branco
Esse assunto, realmente, dá o que falar. É ético ou anti-ético? Enquanto alguns preferem esconder suas opiniões e ficar em cima do muro, outros são mais radicais sendo favoráveis ou contra tal atitude. Nesse caso, propriamente dito, não vou me abster e aqui analisarei meus pontos de vista que ilustrarão as determinadas situações que julgo serem válidas ou não com o princípio desportivo.
É preciso que se faça uma análise sensata, ponderada e com certo grau de cautela sobre o assunto, pois o mesmo mexe com paixões e, de certa forma, com interesses comerciais.
Não podemos ser hipócritas! Não é de hoje, que a ética no esporte vira tema central em programas de debate esportivo, mesas de bar e esquinas do país. A infração dessa lei moral fere os princípios de qualquer modalidade desportiva que prega, acima de tudo, a competitividade e o compromisso com o público que paga para ver o evento.
Chega a ser deplorável e patético como alguns clubes, grandes camisas, não só do futebol brasileiro, mas mundial, permeiam esse caminho ridículo e imbecil, que gradativamente vem denegrindo a imagem do futebol no cenário desportivo.
Aqui, de forma alguma, pretendo analisar a integridade e a vontade do jogador A, B ou C, pois futebol se ganha dentro de campo e atleta que é atleta não gosta de ser derrotado.
Pois bem. Quem não se lembra! No Brasileirão 2009, na última rodada, Flamengo e Internacional lutavam pelo título. O líder Flamengo, no Maracanã, enfrentaria o Grêmio (o maior rival do inter, o então vice colocado). Caso o Flamengo perdesse e o Inter ganhasse, o Colorado se sagraria campeão brasileiro. Campanhas na internet, pressão de torcedores gremistas e o apoio dos dirigentes ao movimento colocou o Grêmio em campo com a equipe reserva. Foi notória a intenção desses cartolas que driblaram o fundamento máximo do esporte, e que, por fim, culminou no sexto título do Flamengo. É bem verdade que o jogo não foi fácil, mas a atitude da diretoria tricolor é condenável.
Feio, irritante, patético, vergonhoso etc etc etc. O que dizer?
Infelizmente, a única coisa a ser dita é que especula-se que, no Campeonato Brasileiro de 2010, tudo acontecerá novamente. Nessa semana, programas como o Redação SporTV e outros levantaram essa questão.
Confiram a imagem que vocês entenderão do que se trata:

Portanto, fundamento minha opinião sobre três aspectos básicos e bem definidos relacionados esse assunto.
1 – Sou completamente favorável a clubes que disputam 2 ou mais competições paralelas e optam por uma delas mediante seu interesse econômico, financeiro e/ou histórico e por isso colocam seu time reserva, quando necessário, em determinados jogos. Afinal, se esse clube disputa essas competições, foi por seu mérito, podendo escolher, sim, a competição que vai priorizar. E não cabe a qualquer outro clube, por mais que rival ou não, julgar ou tentar interferir nessa questão. Esse tem que cumprir seu papel, ir para o campo, ganhar e não empurrar a culpa de uma provável derrota na conta dos outros.
2- Sou opositor ferrenho, e assim permanecerei até meus últimos dias, à clubes que disputam apenas uma competição, e colocam seus times reservas em rodadas decisivas ou não, só para de alguma forma, direta ou indiretamente, prejudicarem o rival ou o clube pelo qual não demonstram tanta simpatia. Diante desse fato, é nítida e vergonhosa as imposições que alguns dirigentes, que regem o dia-a-dia de certos clubes, se valendo dos seus altos cargos de mandatários e do princípio hierárquico, colocam para seus atletas, na maioria das vezes, situações nem um pouco satisfatórias e desagradáveis, só para fazerem média com certos indivíduos que, nesse caso, prefiro nem nomeá-los de torcedores, pois torcem mais contra o time rival, do que à favor do sucesso seu próprio time, o que daria sentido a esse adjetivo.
3- O terceiro e último ponto é a chamada mala branca fruto da sem-vergonhice conseqüente de algumas passagens citadas acima e de toda a podridão presente no futebol hoje. Elas existem, não são especulações e já decidiram muitos campeonatos. Basicamente, a idéia é a seguinte: O clube X e o clube Y(concorrente direto do clube Z pelo título) se enfrentarão em determinada rodada de algum campeonato. O clube Z procura a diretoria do clube X, ou às vezes nem isso, trata diretamente com alguns jogadores deste, sobre o acerto de valores, para que estes dificultem o jogo contra o time Y, a fim de se favorecer do resultado deste jogo, objetivando a classificação para algum campeonato, o não rebaixamento e até mesmo o título.
Mas os jogadores não recebem seus salários para darem o máximo de si sempre buscando a vitória de seus respectivos clubes? Então, porque aceitar as malas brancas? Portanto, se comprovado o real interesse de se prejudicar outro time, tal atitude repreensível deve ser passível de investigação e, mais que isso, punição. Pois o verdadeiro torcedor, àquele que pagou para ver um legítimo espetáculo, foi iludido e lesado de seus direitos. E qualquer profissional (jogadores, árbitros, bandeirinhas etc), diretamente ligado ao evento, que acerta valores com terceiros, para influenciar, de alguma forma, no resultado do jogo, deve ser caracterizado como corrupto e julgado por atitude anti-desportiva.
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